Prefeitura remove parasitas em Ipês que podem voltar a florescer

Com iniciativa da Secretaria Municipal de Obras e apoio da Secretaria de Meio Ambiente, os ipês da Avenida Germano Dix, defronte a Apae, estão passando por um minucioso processo de recuperação, após terem sido alvo de pragas há alguns anos e deixarem de florescer. A medida, que pode permitir o reflorescimento já no próximo ano, visa ainda garantir que as árvores não corram risco de morte.

A inibição do florescimento decorre diretamente da infestação de uma praga. Ciente do problema, a Prefeitura iniciou então o trabalho de remoção de forma manual. O grande problema verificado no local é que as árvores estão com maciça presença da praga conhecida como “Erva de Passarinho”. Em suma, ela é trazida pelos pássaros, que se alimentam da semente da erva. Depois, quando as aves estão sobre os ipês, deixam fezes no local. Justamente aí, junto das fezes, são alojadas as sementes da “erva de passarinho”, que brotam e se enraízam nos galhos dos ipês.

O encarregado de Parques e Jardins da Prefeitura de Pirassununga, Carlos Henrique Marucci Junior, está a frente do trabalho e explica o problema: com essa erva entrando na lenha do ipê, ela impede os fluxos normais da seiva da árvore. Isso porque a erva vive da seiva de onde ela se hospeda: o ipê. Enfraquecido, o ipê deixa de florescer.

Além de perder a beleza, a praga pode até dizimar os ipês. Por isso, em um trabalho manual, o Setor de Parques e Jardins da Secretaria Municipal de Obras está removendo de todas as árvores os galhos que foram tomados pela praga.

Apesar dos ipês também serem “atrapalhados” por outras plantas, como as epífitas (que se hospedam em seus galhos), a “erva de passarinho” é o maior problema hoje, já que apenas estas retiram seiva dos ipês – a “erva de passarinho” retira dos ipês mais de 60% dos nutrientes necessários à sua própria sobrevivência.

Para que cesse o problema, todos os ipês da Avenida Germano Dix estão sendo podados. Com o corte a praga morre de imediato. Mas há necessidade de se remover todas as ervas para evitar que os pássaros realojem as plantas sobre os ipês novamente.

A expectativa é que, se o clima colaborar, já no próximo ano os ipês da Avenida Germano Dix, recuperados, voltem a florescer e encantar moradores e visitantes.

Análise e correção do solo também devem complementar intervenções

Para recuperar em definitivo os ipês da Avenida Germano Dix a Prefeitura de Pirassununga também pretende realizar as intervenções necessárias no solo daquela região.

Com o solo adequado a chance de que os Ipês amarelos voltem a florescer é ainda maior. Por isso, em breve a Prefeitura deve realizar uma análise detalhada do solo e estudar qual melhor solução para que nutrientes adequados sejam despejados pelo local. Uma irrigação mais adequada também deverá ser iniciada.

Os ipês podem voltar a florescer em breve “se a chuva e o frio vierem no tempo certo e a estações do ano forem bem definidas”, completa o encarregado de Parques e Jardins da Prefeitura de Pirassununga, Carlos Henrique Marucci Junior. Ele pontua que como as árvores estão em zona urbana é preciso que se mantenha esse trabalho também de correção do solo e das podas. Os serviços contam com a participação da Secretaria de Obras, com equipe de reflorestamento com os funcionários João, Marcos e Lucas e ainda equipe da pasta de Meio Ambiente e devem trabalhar em cerca de 90 unidades arbóreas.

Meio Ambiente ‘mapeou’ pragas e apontou causa dos problemas

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente apontou em laudo realizado em 2014 que das 99 árvores fixadas no local, 90 são Ipês-amarelos (Handroanthus sp.); e também Ipês-brancos (Tabebuia roseo-alba); Pimenta-de-macaco (Xylopia aromatica); Ipê-de-jardim (Tecoma stans) e Figueira (Ficus sp.).

Segundo o setor, a principal praga encontrada nestas árvores, foram a hemiparasita conhecida popularmente como erva-de-passarinho (família Loranthaceae), que foi encontrada em 92 das 99 árvores analisadas. “As espécies pertencentes a esta família vegetal são consideradas parasitas ou hemiparasitas e se instalam sobre as árvores, sugando a seiva elaborada podendo levar a espécie hospedeira à morte. A praga recebeu esse nome porque se espalha com a ajuda dos passarinhos: eles ingerem as sementes que são eliminadas mais tarde, junto com as fezes, e podem cair sobre os troncos das árvores, onde germinam”, explica o setor.

Apesar da praga, outro fator pode ter contribuído para o declínio das árvores: a presença de brocas (larvas de besouros) e cupins. “Além do prejuízo direto às árvores, as brocas e cupins propiciam a entrada de microrganismos como fungos, bactérias e vírus; e insetos secundários capazes de provocar novos danos. Além disso, podem ser vetores de nematoides, outra importante praga”, explicam os especialistas da área.

Especialistas da própria Secretaria de Meio Ambiente sugeriram que seja realizado nas árvores vistoriadas o procedimento de retirada dos galhos com erva-de-passarinho. O ideal é que a poda dos galhos afetados seja realizada após a floração dos ipês (fim do inverno), quando as árvores se encontram sem ou com poucas folhas, facilitando a diferenciação entre a hospedeira e a parasita e antes que ocorra a produção de sementes da última. O setor ainda recomendou que seja feita a limpeza e raspagem dos galhos mais grossos que não possam ser cortados. “Toda a parte aérea da parasita deve ser removida e depois, cortada e raspada todas as suas raízes. Esse procedimento evita que haja uma rebrota da parasita a partir de tecidos aderidos ao galho ou tronco das árvores hospedeiras”, finaliza o setor.

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: